Quer formar um grupo de teatro, um coletivo, uma família nas artes? O Grupo Oriundo pode servir de exemplo.
Saiba que vai ter que contar com algumas doses de talento, inspiração, mentoria, boas escolhas e decisões, talvez um pouco de sorte, e muito... muito trabalho, executando tarefas como produtora, contra-regra, iluminador, camareiro, assistente de direção, e outras tantas, se quiser mesmo se dedicar ao “ofício” Teatro. Ah, sim , depois de tudo isso chega o momento do Ator e Atriz subirem no palco.
É o que contaram a Ana Campos e Enedson Gomes, na conversa que tive com eles ontem, 24 de Maio no “Aqui na Sala”, sobre o Grupo Oriundo de Teatro, que fundaram em meados de 2007.
Casados, os atores formados pela UFMG, ela alguns semestres antes dele, se conheceram na faculdade onde foram orientados pelo professor Antônio Hildebrando, o “Hilde”, assim com intimidade, porque além de se apaixonarem pelos textos e o estilo de direção do professor Hildebrando, elegeram-no como insubstituível, dentre os que se consideram membros do Oriundo.
Porque o grupo nasceu com os três, na montagem de “ O Lustre”, de Hildebrando, mas até hoje, já contou com dezenas de integrantes, “ que vão e voltam” como disse o Enedson Gomes, e se tornam integrantes quando “se sentem do grupo” como concluiu Ana Campos. O que vai determinar essa identidade com o Oriundo, é “o artista se identificar com a linguagem do grupo”, finalia Enedson.
Uma linguagem que não está limitada por época, estética, contexto sócio-político e, nem mesmo, recursos financeiros.
Aliás, contexto é a palavra-chave para Enedson Gomes, que considera o ofício teatro subjetivo, volátil, dinâmico, que oportuniza ao artista utilizar e explorar suas habilidades, não só artísticas. Ainda que o ator queira só atuar, conhecer todas as áreas é fundamental, até para entender melhor uma marca de iluminação, por exemplo.
Foi o que fez o Oriundo, quando sentiu a necessidade de buscar outras formas de se financiar e buscar algo maior. Perseguiu o aprendizado para elaboração de projetos, capacitação, gestão e consultoria para outros grupos.
Essa busca por aprendizado também trouxe para o grupo a aquisição da música como elemento da dramartugia. O feliz encontro com o ator, músico e compositor Tatá Santana, já no primeiro trabalho com essa pesquisa entre teatro e música, Quem Pergunta Quer Resposta, segundo Ana Campos, inspirou o grupo a agregar cada vez mais nas pesquisas do Oriundo a música, em especial, as composições criativas do Tatá Santana.
Enedson destaca a generosidade do compositor que tem a habilidade de construir cada canção aproveitando a facilidade e as habilidades de cada artista ao propor os arranjos por exemplo, mas o empenho fez muita diferença para a evolução do grupo, que segundo Ana Campos se revela no último trabalho do grupo, “Eu escolhi o ano inteiro pelo meu aniversário”.
Os desafios na construção e evolução de um grupo como o Oriundo passam por esse empenho, pelo entendimento das cenas, pela leitura e releitura do contexto em cada montagem ou remontagem. Às vezes se torna necessário atualizar a dramaturgia e adequá-la ao novo contexto. Outras vezes o momento, como esse agora do isolamento social, exige essa reinvenção do grupo.
Então, o grupo está já em processo de pesquisa e experimentação para o que virá.
Por enquanto, quem quiser acompanhar o trabalho do grupo pode buscar os vídeos e publicações pelas redes sociais do grupo. Em especial, no próximo domingo, 1º de junho, o grupo destaca sua seleção e participação no Profest, Festival Online de Teatro, promovido pelo Cia de Teatro Terceiro Sinal, da cidade de Congonhas.


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